Multiculturalismo, interculturalidade e o preconceito de um(a) acadêmico(a)


Olá blogueiros, blogueiras e militantes da educação!

Hoje aconteceu algo muito inquietante em minha turma da universidade - Pedagogia UFES. Em dado momento da aula sobre multiculturalismo e interculturalidade onde apresentávamos algumas considerações sobre artigos estudados que tratam deste assunto, a professora começou a descorrer sobre o que é cultura.

Ela nos alertou de que, por vezes, nós ficamos na superficialidade de achar que cultura é toda produção humana, sem nos aprofundarmos nas diversas concepções referentes ao tema. Em meio ao belo discurso que proferia acerca de cultura e suas definições, ela disse o seguinte: "Cultura é outra coisa! Não é essa merda toda que somos obrigados a ouvir na rádio e que nos falam que é a cultura do Pará e das favelas" (referindo-se às bandas do Pará e ao funk).

Fiquei transtornada ao ouvir este comentário e constatei que todo o discurso de multiculturalismo que minha 'nobre' professora acabara de dizer era pura reprodução vazia e distante do que ela guardava em seu íntimo. É no mínimo estranho ouvir tamanho insulto às culturas que representam estes pequenos grupos de uma doutora que aparentemente 'defende' o respeito às diversidades culturais.

Ainda que o 'mercado cultural' deturpe os reais significados e manifestações culturais de um grupo, para que possa ser industrializado, não podemos aceitar que tais manifestações sejam denominadas 'merdas'. Por mais que não sejam símbolos de nossa preferência, que as músicas não façam parte de nosso gosto musical, nós - como educadores - não podemos recriminar.

E se notarmos que as manifestações que o 'mercado cultural' diz serem culturas não forem exatamente isso, devemos nos debruçar sobre o tema e refletir sobre a industrialização alienante que esmaga os valores simbólicos de determinadas culturas com vistas a vender cada vez mais.

Para encerrar, gostaria de refrescar a memória de minha professora com algo que ela mesma nos ensinou:

MULTICULTURALISMO: Reconhecimento da diferença e do direito à diferença e da coexistência ou construção de uma vida em omum além das diferenças.

INTERCULTURALIDADE: Não só reconhecer o valor instrínseco de cada ultura e defender o respeito recíproco entre diferentes grupos identitários, mas também propor a construção de relações recíprocas entre esses grupos, através do diálogo.

Infelizmente nos deparamos com posturas conservadoras no seio das academias. Não digo isso pelos simples motivo de ter presenciado este fato, mas por ver - ao logo de toda minha graduação - como alguns temas e elementos novos são ignorados e/ou repudiados por mestres e doutores que formam educadores.

Vamos refletir que tipo de educadores as universidades estão formando!

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